A — Sobreiros do projecto FAIR 01 CT 0202/95
A análise de 42 plantas representando 22 das proveniências reunidas nesse projecto manteve-se dentro dos critérios já existentes para os marcadores ensaiados, designadamente: todos DIA “Sb”, todos MDH “Sb(Sb)”, polimorfismos PGI “a”, “ab”, “ac”, “b”, “c” e todas com a banda EST 2 (e duas com bandas suplementares 3 e 3*).
No que respeita à PGI, as frequências dos alelos do locus polimórfico distribuiram-se da seguinte maneira: alelo 1 (banda a) 0,5833; alelo 2 (banda b), 0,3810; alelo 3 (banda c), 0,0357. No geral, esta distribuição parece concordar com os resultados da tabela 4.24.
Na figura 4.18 apresentam-se alguns resultados com uma série de espécies da ordem Fagales (esquematizada em 4.18 a). As actividades mais consistentes em sobreiro e azinheira foram-no também no conjunto de espécies analisadas, algumas com extractos de quase 1 ano, podendo evidenciar-se variações interspecíficas e, nalguns casos, intra-específicas.
As actividades PGI (figura 4.18 b) distribuiram-se em cada amostra por dois grupos, sendo que a migração da mais rápida era muito homogénea e aparentemente monomórfica entre todas as amostras, enquanto as mais lentas davam frequentemente um tripleto de bandas, atribuído a genótipos heterozigóticos. Notaram-se diferenças intra-específicas nos Juglans, nos Quercus ilex (e talvez Q. pyrenaica), nos Betula e nos Corynecarpus. O exemplar de sobreiro tem apenas a banda b (Rf = 0,39) nesta componente polimórfica, o que neste gel o distingue de todas as Fagales à excepção de Q. rubra.
Das actividades EST separadas no sistema R (figura 4.18 c), as que migram rapidamente para o ânodo ocorrem em quase todos os Quercus (excepto Q. rubra), assim como nos Castanea, nos Betula e num dos Corynecarpus, enquanto numa das amostras de Fagus aparece apenas a actividade β-esterásica (precipitado de cor rosa); as que quase não migram (reveladas junto à origem da electroforese) apareceram em geral nessas mesmas amostras e ainda nos Casuarina.
As actividades MDH (figura 4.18 d) no lado catódico apareceram apenas nas fagáceas, sendo a de Q. suber a mais rápida, enquanto no lado anódico há notáveis variações entre os diversos Quercus, merecendo especial destaque a diferença entre as duas subespécies de Q. ilex. De resto, neste gel as espécies representadas por 2 indivíduos mostraram zimogramas idênticos nos dois exemplares analisados.
As actividades DIA (figura 4.18 e) revelam-se marcadamente variáveis dentro do género Quercus, e há exemplos de variação intra-específica (nos Castanea e em Q. pyrenaica; um dos Q. ilex ssp. rotundifolia é a azinheira 11 de Alfaiates, cujo zimograma é aparentemente híbrido com sobreiro, cf. parte III, secção C1). Só as actividades dos Myrica são tão lentas como as de Q. suber. De notar a presença de bandas dos Juglans no lado catódico.
As actividades PER (figura 4.18 f) revelam bastante complexidade em quase todas as espécies, sendo aparente a existência de marcadores do lado anódico distintivos entre espécies do género Quercus, que talvez valha a pena levar em consideração em futuros trabalhos sobre hibridismo. De notar o invulgar zimograma de Q. rubra face a outros Quercus, e a ausência da banda 1 em Fagus e Castanea.
Finalmente, a revelação de LAP (sistema R) deu uma única banda invariável entre fagáceas (e também Juglans), mas com migração diferente nos Myrica, Betula e Corynecarpus.
a
b
c
d
e
f
Figura 4.18 — Demonstração dalgumas actividades enzimáticas em espécies da ordem Fagales (com duas amostras de Corynecarpus lævigata como espécie de referência). a) Esquema geral da disposição das amostras no gel. As duas amostras de Quercus ilex ssp. rotundifolia são 2 adultos de Alfaiates (extractos 42a e 42g), as restantes foram obtidas expressamente para esta análise. A chaveta interna abrange as amostras do género Quercus, a chaveta externa as fagáceas (ambas exceptuando as de Myrica faya). b) PGI (sistema R). c) EST (sistema R). d) MDH (sistema C). e) DIA (sistema C). f) PER (sistema C). Em todas as fotos assinala-se a posição de origem da electroforese (“or.”) e a chaveta externa entre Fagus sylvatica e Quercus coccifera.
1. A análise de sobreiros de proveniências de 7 países não revelou qualquer padrão isoenzimáticos que viesse pôr em causa a especificidade dos marcadores de hibridismo definidos com base nos povoamentos de referência (Santiago do Cacém, Azeiteiros e Testa) e mistos (Mitra, Feijoas do Ramos e Alfaiates).
2. A aplicação do mesmo protocolo de extracção a outras Fagales mostrou a variação mais ou menos acentuada dos padrões isoenzimáticos entre níveis taxonómicos (variavelmente segundo as actividades em causa), e confirmou o potencial de aplicação destes marcadores à discriminação entre outros táxones.