Afecção
e Comunicação
O sentir
e os deficits de afecção
Uma nova
economia da afecção configurada pelo modelo liberal individualista:
—
instável;
—
deficitário, sempre em busca;
—
exigente, não dá mas quer que lhe dêem;
—
—
—
O
empobrecimento da experiência comum — pelos media
"experiencing
emotion"
Emoção —
sentido localizado — temporário — despoletar rápido, de reacção instantânea,
alegria, tristeza, medo, surpresa, espanto, desgosto.
— A
aprendizagem da gestão emocional que não existe, não se
ensina
na escola, e o que se ensina é muitas vezes mau.
Sentimentos
— Mais duráveis — ciúme, amor, compaixão, solidariedade...
Humores
— mais duráveis e mais incorporados e polarizados. Bons, maus, excitados, melancólicos, deprimidos.
Necessidade
da consciência—presença das emoções que passam por nós, e o que fazemos com
elas.
As
reacções de tipo afectivo durante as conversas. As afecções fásicas (de fase) —
os micro-afectos.
Afectos
tónicos/humores de base cultural — mais duráveis: desconfiança (alentejana),
melancolia, curiosidade e boa recepção do estrangeiro, etc...
Percepção
da emoção do Outro
Quem
fala, o emissor põe-se (entre outras) 4 questões:
1—Será que ele me ouve?
2—Será que ele está com atenção?
3—Será que ele me compreende?
4—O que é que ele acha disto?
Quem
ouve, o receptor, pergunta-se:
—O que quer ele dizer?
—O que faz ele ao dizer aquilo?
—O que acha ele disso?
O
não-verbal na regulação/percepção destes factores...
A
manutenção do contacto, da relação — comunicação e percepção mútua. Necessidade
de confirmação do contacto.
— Estás
comigo? podemos continuar?
Ex: os
namorados — gostas de mim? ...
Mecanismos
de regulação da empatia / partilha / espelho
Necessidade
de competência e capacidade de monitoração destes factores.
Ex: o
vendedor mecânico; o atendimento robotizado...
Percepção
do estado afectivo do outro
—
Dedução/calculo partir do não-verbal
O
analizador corporal / troca de sinais inconsciente
O corpo
faz eco do outro / espelho
Os
contextos de empatia:
E mais
fácil a empatia com o agradável, a empatica corporal...
É mais
difícil quando o contexto é desagradável — quando há tensão —
sofrimento/desespero. — transformação em compaixão.
O caso
dos hospitais — "vai lá ver o que quer a cama 18..."
É
difícil partilhar todo o dia a inquietação e a dor.
É
igualmente difícil aceder a afectos que acordam problemas indesejáveis,
reprimidos ou recalcados.
Isto
pode terminar em negociação, compromisso, desqualificação afectiva, conflito,
etc...
Efeitos
de ECO:
—simetria
—complementaridade
—oposição
O
contágio das multidões; o contágio nas organizações — os efeitos modais. O
trabalho do eco/espelho.
O
trabalho das representações sociais e mentais.
Determinação
do TOPOS — o Lugar da Comunicação
-
a
relação topológica/ de lugares, que estrutura a comunicação. — O papel, o
estatuto que ocupam os interlocutores dentro do quadro comunicacional.
-
Ex: O
médico – paciente / prof. – aluno.
-
Papéis
e identidade social
O
enquadramento – framming em Goffmann
Ex:
O psicanalista, o sexólogo.
A
colocação, o posicionamento, as distâncias, as formas de referenciar as
posições.
Afinidades
e processos inconscientes
As
categorias da psicanálise que observam a relação comunicacional
1-
A Projecção
– O Alter—ego – atribuição ao outro daquilo que eu reconheço em mim; projecção
do eu sobre o outro — dos medos, angústias, expectativas, etc.
2-
Introjecção
— Assimilação, sucção do outro, o outro interiorizado. Suporte e manutenção da
identificação – afinidades e simpatias.
3-
Transfert
(cura) — Repetição / re—produção do quadro das relações de infância.
Transferência sobre o outro da estrutura de relação de infância.
O
imaginário constitui—se como re—produção – de pais, irmãos, tias, etc.
Reprodução
da Relação de submissão, revolta, desconfiança, etc.
INTERACÇÃO
– (E. Goffmann) que implica uma
Representação de si – imagem valorizada de si
face ao outro – o ganho
Estratégias:
1-
Maximizar
os ganhos ( o que quer brilhar)
2-
Reduzir
os riscos ( o que é prudente)
3-
...
Análise dos Modos Relacionais – da Busca de satisfação na relação com o outro
Relações
de poder e de sedução
Ter
sempre razão, ter a última palavra – poder
O
modo como o receptor (também) produz a mensagem que recebe — pela sua
experiência e quadro referencial.
A busca
de reconhecimento — depende da percepção de si
A
valorização do outro – savoir-vivre- gestão das susceptibilidades
Reconhecimento
— necessidades identitárias:
Necessidades
de:
Existir e respeito/visibilidade face ao
outro;
Integração – estar com/ estar ligado
Valorização – ser apreciado, juizo
positivo
Controlo
– dominar a sua expressão, acesso ao outro – à sua intimidade.
Individuação
– distinção/ diferença de personalidade.
A importância da relação com o outro e do seu olhar sobre nós — o espelho.
A
permanente actualização da identidade através do outro — Produção da
consciência de si.
Gregory Bateson e o “Double Bind”
-
Sê
espontâneo!
-
O
conflito na familia produzido pelo D. Bind.
Edward
T. Hall — A linguagem silenciosa – o que é latente- tácito – na cultura
-
A
dimensão oculta
-
Para
lá da Cultura — contrato não formal – social
—
A
concepção social-cultural-local do tempo
—
A
Organização do espaço – Proxémica
—
A
Organização do espaço de interacção
—
A
mudança –
—
Padrões
e séries / esquemas tácitos
Distâncias – ocidente – íntima-pessoal-social-pública.